Esperam-se enxurradas de vontade à beira de serenas perturbações.
Folheiam-se génios de outrora que se fizeram perenes balizas.
Num lançamento projectam-se ócios intemporais.
Num banco de mar recolhem-se espasmos cabais.
Porque do mar vêm.
Porque para o mar vão.
13 janeiro 2009
10 junho 2008
Tormenta
Um ósculo desviado do seu objecto captura num outro tu a essência da suspeita.
Invejas e passados beijam quem não passa.
Intercâmbios oníricos que num corpo desfazem o que uma vontade construiu.
Invejas e passados beijam quem não passa.
Intercâmbios oníricos que num corpo desfazem o que uma vontade construiu.
Toldado por um intuito arrisca uma viagem sem volta.
O rumo é o seu.
O destino há-de sê-lo.
25 maio 2008
Quando?
Murmúrios que ressoam num coração aparentemente aberto não são suficientes para lhe dar a confiança que almeja.
Pede ao vento que lhe traga o adubo que agigantará o que se tornou incomensurável.
Ao encontro do que pode tocar, ultrapassa quem o pode sentir.
Estranhos do mesmo lado de uma trincheira que nenhum ajudou a cavar.
Pede ao vento que lhe traga o adubo que agigantará o que se tornou incomensurável.
Ao encontro do que pode tocar, ultrapassa quem o pode sentir.
Estranhos do mesmo lado de uma trincheira que nenhum ajudou a cavar.
14 abril 2008
Berço
O ecoar das rochas nas ondas que estáticas recebem do pensamento o movimento embala-me.
A espuma traz à noite a claridade de uma fronha.
Salgados salpicos assaltam-me o âmago.
Até mim vem o mar que me leva aos teus lençóis.
A espuma traz à noite a claridade de uma fronha.
Salgados salpicos assaltam-me o âmago.
Até mim vem o mar que me leva aos teus lençóis.
Georeferenciação
Pela frente uma planura de montanhas.
Nas costas a tortuosa linha recta.
Lado a lado com a altaneira sobranceria que só o faz olhar para baixo.
Nas costas a tortuosa linha recta.
Lado a lado com a altaneira sobranceria que só o faz olhar para baixo.
20 fevereiro 2008
(Des) conforto
A mansidão das águas levou-o a planícies infindáveis.
Duas rochas num leito imperturbável trouxeram-lhe à consciência a inevitabilidade da mudança.
Sentia que lhe estrangulavam a corrente.
De uma assentada trocou a espreguiçadeira por um banco alto.
Duas rochas num leito imperturbável trouxeram-lhe à consciência a inevitabilidade da mudança.
Sentia que lhe estrangulavam a corrente.
De uma assentada trocou a espreguiçadeira por um banco alto.
27 outubro 2007
Pertencer
Deixar para trás a insaciável vontade de ter.
Abraçar o inevitável desejo de ser.
Um eu que se despega de si mesmo.
Um todo que reclama a sua parte.
Abraçar o inevitável desejo de ser.
Um eu que se despega de si mesmo.
Um todo que reclama a sua parte.
15 junho 2007
Membro de um
Porque de braço dado eu vou.
Porque pelo braço eu levo alguém.
Porque um braço eu sou.
Porque um braço me contém.
Por isso pertenço.
Porque pelo braço eu levo alguém.
Porque um braço eu sou.
Porque um braço me contém.
Por isso pertenço.
Consciência
Sentiu-se para sempre
Preso ao pescoço de a quem um sacrifício soltou
A alma para amar como livremente amou.
Preso ao pescoço de a quem um sacrifício soltou
A alma para amar como livremente amou.
14 junho 2007
Venda
Andou em busca de matéria.
Calcorreou caminhos que o levaram a estranhos recantos.
Desenvolveu uma arte apenas sua.
Passou o resto dos seus dias a tentar atingir a perfeição.
Quando criou a sua obra-prima não se apercebeu.
Calcorreou caminhos que o levaram a estranhos recantos.
Desenvolveu uma arte apenas sua.
Passou o resto dos seus dias a tentar atingir a perfeição.
Quando criou a sua obra-prima não se apercebeu.
Suposição
Pergunta-te o que fizeste.
Pergunta-lhe o que deverias ter feito.
A resposta não vai ser essa.
Pergunta-lhe o que deverias ter feito.
A resposta não vai ser essa.
Ângulos
Veste-se para enfrentar o dia que ora finda.
Sem pudor atravessa avenidas iluminadas pelas candeias que repousam em mãos esguias.
Olhares que lhe perfuram o ser.
Murmúrios que lhe enchem a alma.
Passou bem por onde um relógio deu badaladas.
Pelo balanço que os dias tomam julga o peso do tempo.
Sem pudor atravessa avenidas iluminadas pelas candeias que repousam em mãos esguias.
Olhares que lhe perfuram o ser.
Murmúrios que lhe enchem a alma.
Passou bem por onde um relógio deu badaladas.
Pelo balanço que os dias tomam julga o peso do tempo.
15 maio 2007
Presenças
Atravessaste uma ponte que te levou para mais longe do que quiseste supor.
Vincaste uma camisa com as flores que ampararam a tua dor.
Nunca fugir se te pareceu tão razoável.
Nunca ficar se pôs como hipótese de partir.
Brilha uma luz dentro de quem sonha atingir um sonho.
Vincaste uma camisa com as flores que ampararam a tua dor.
Nunca fugir se te pareceu tão razoável.
Nunca ficar se pôs como hipótese de partir.
Brilha uma luz dentro de quem sonha atingir um sonho.
28 abril 2007
Mártir
Colchão de um corpo que dilata com o calor que bebe.
Almofada de uma cabeça que encolhe com o gelo que suga.Presa ao verde que a invade, sente-se impotente para lhe garantir estanqueidade.
Rumos
Uma barcaça à deriva num lago salgado.
Uma gaivota na terra do nunca.
Pisca o olho a direito.
O gatilho que desvenda a futilidade de uma alma.
Uma gaivota na terra do nunca.
Pisca o olho a direito.
O gatilho que desvenda a futilidade de uma alma.
10 abril 2007
Desespero
Desiste de quem é para ser quem idealiza.
Insiste em quem não se presta a demências.
Vê a sua sombra reflectida num espelho.
Um buraco sem fundo onde não há lugar para o amor-próprio.
Insiste em quem não se presta a demências.
Vê a sua sombra reflectida num espelho.
Um buraco sem fundo onde não há lugar para o amor-próprio.
05 abril 2007
Naturalmente
Uma raiz que se quer tronco.
Um tronco que se quer ramo.
Um ramo que se quer folha.
Uma folha que se quer ave.
Devaneios de um reflexo que teima em atrasar.
Um tronco que se quer ramo.
Um ramo que se quer folha.
Uma folha que se quer ave.
Devaneios de um reflexo que teima em atrasar.
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